Grandes autores: Clark Ashton Smith

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Clark Ashton Smith (13 de janeiro de 1893 – 14 de Agosto de 1961) nasceu em Long Valley, Califórnia (EUA).

Poeta, escultor, pintor e autor de contos de fantasia, horror e ficção científica, saudado como o “Keats da Costa do Pacífico” pela imprensa de San Francisco, chamou a atenção de nomes consagrados como Ambrose Bierce, George Sterling e Jack London, quando seus primeiros poemas foram publicados em 1911.

A família de Smith sempre foi pobre e quando o jovem Smith foi capaz de trabalhar, além das tarefas da fazenda dos pais, trabalhava para agricultores locais, colhendo e embalando frutas (cerejas e ameixas), cortando madeira, cavando valas, etc.

Sua educação formal foi limitada, pois sofria de distúrbios psicológicos, e por isso teve apenas oito anos de escola primária e nunca frequentou a escola secundária. Em vez disso, com a aprovação de seu pai, Smith escolheu educar a si mesmo, lendo a Enciclopédia Britânica inteira, não uma, mas pelo menos duas vezes.
Leu também o Dicionário Oxford (alguns dizem que foi o Webster’s), palavra por palavra, concentrando-se na etimologia. Sua memória fotográfica, permitiu-lhe reter quantidades prodigiosas de informação.

Mais tarde, novamente de forma auto-didata, aprenderia francês e espanhol, e também trabalharia com várias formas de arte.

Clark Ashton Smith começou a escrever ficção aos onze anos, utilizando lendas medievais e as Mil e Uma Noites como referências, assim como os contos de fadas dos Irmãos Grimm, e as obras de Edgar Allan Poe (reconhecido por ter influenciado fortemente Smith).

Em 1922 recebeu  uma carta de um fã, HP Lovecraft – marcando o início de quinze anos de amizade e correspondência.

Apesar deste sucesso literário inicial, e de viver próximo de uma importante metrópole (Auburn) da época, Ashton escolheu viver uma vida tranquila e solitária no sopé das montanhas. De lá ele evocava tempos distantes do passado – Averoigne, Poseidonis (a última ilha submersa de Atlântida), Hiperbórea (localizada no Mioceno da Gronelândia), Xiccarph – e do futuro (Zothique, onde a feitiçaria e necromancia são redescobertos e a ciência esquecida.), conjurando novos mundos mágicos, fundindo ficção científica com fantasia, prosa com poesia.

Smith acrescentou também muito ao mito de Cthulhu, inspirado diretamente pelo amigo Lovecraft.

Com estilo rebuscado, suas fantasias são tecidas com uma linguagem incrivelmente rica, “lapidar”, repleta de palavras exóticas retiradas de sua leitura de dicionários. Em contrapartida, sua ficção científica interplanetária é aventuresca mas bastante plana, e pouco ‘científica’, mas com a poética encontrada na sua fantasia.

Smith possuia uma prática interessante, pois sempre trabalhou ao ar livre, em uma mesa sob as árvores perto de casa, ou em outros locais da propriedade, levando os originais datilografados para ler em voz alta, para em seguida, digitar novamente até que estivessem do seu agrado.

Smith produziu em pouco mais de uma dezena de anos, livros de poesia (também em francês e espanhol), teses, e mais de uma centena de contos de diversos estilos. Também atuou como editor noturno em jornais da cidade, em parte para pagar os custos de impressão de seus livros.

Seus contos apareciam em revistas como Tales Strange, mas principalmente na revista Weird Tales, onde compôs o triunvirato da revista, junto com Lovecraft e Robert E. Howard. Era também contribuinte das revistas de Hugo Gernsback, Astounding Stories,Wonder Stories, Amazing Stories, etc, com 16 histórias publicadas durante entre 1930 e 1933.

No entanto, Smith foi severamente afetado por duas tragédias que ocorreram em um curto período de tempo: o suicídio de Howard  em 1936, e a morte (câncer) de Lovecraft em 1937. Como resultado, retirou-se de cena, marcando o fim de suas participações em revistas mais populares.

De fato, nos 25 anos seguintes, ele escreveria apenas uma dúzia de contos – um contraste marcante com a sua produtividade anterior.

Na verdade Smith sempre se mostrara frágil demais para a fama, e não conseguia respirar facilmente na atmosfera rarefeita dos clubes de intelectuais, ou nos salões literários de San Francisco. Quando Jack London o convidou a visitar sua casa, Smith recusou, afirmando que não tinha dinheiro para comprar o bilhete de trem, mas poderia muito bem ter sido devido à timidez.

Outra ‘desculpa’ usual de Smith, eram suas ‘doenças crônicas’.
Aparentemente a doença de Smith foi além da hipocondria. A tuberculose o atormentaria por anos.
No entanto, fatores psicológicos estavam claramente envolvidos, incluindo depressão e distúrbios nervosos.
Seu mentor e ídolo, George Sterling, oferecera-se para colocá-lo em um sanatório, mas Smith recusou-se.

Mas Smith não ficou ocioso durante o último terço da sua vida. Mais uma vez ele voltou sua atenção para a arte. Smith pintava e desenhava (totalmente auto-didata). Ilustrações de cenas fantásticas e paisagens alienígenas com arquitetura sobrenatural, e que por conta do uso de cores berrantes, foram comparados com as do francês simbolista Odilon Redon.

Em 1935 Smith começara a criar esculturas “por acidente” ao pegar um pedaço de giz e perceber que era macio o suficiente para esculpir com um canivete. Smith fez experiências com outros materiais inusitados, incluindo pedra-sabão e arenito. Suas estatuetas e cabeças lembravam a arte pré-colombiana, e as cabeças famosas da Ilha de Páscoa, e outras figuras foram baseadas na mitologia clássica e, novamente, no universo de Lovecraft. Smith também esculpia vasos, castiçais e outros objetos “não-grotescos”.

Smith vendeu muitas de suas pinturas, desenhos e esculturas por alguns dólares, mas a maioria foi simplesmente doado ou enviado aos seus correspondentes – incluindo Lovecraft, que foi fortemente influenciado pelas esculturas de Smith.

No final dos anos 50, Smith ainda mantinha alguns hectares da propriedade familiar, mas um especulador de terras de Auburn quis comprar o restante, mas ele recusou todas as propostas. A partir dai sua propriedade passou a ser saqueada, vandalizada, e as urnas de seus pais tiveram suas cinzas espalhadas, até por fim, a casa sofreu um incêndio criminoso, queimando parcialmente alguns escritos seus , manuscritos e datilografados, e destruindo inéditos. Após o incêndio, já com a saúde bastante debilitada, Smith vendeu o terreno remanescente.

O mago de Auburn. morreu enquanto dormia, em 14 de agosto de 1961.

Apesar de nos seus últimos anos de vida, Smith ter praticamente parado de escrever ficção, sua obra continuou a ser publicado e a atrair a atenção, sendo até hoje referência da melhor literatura fantástica (ou “fantasia científica”, como chamam alguns críticos) em lingua inglesa, produzida na primeira metade do século 20.

Escritores de ficção científica e fantasia como Ray Bradbury, Lin Carter, L. Sprague De Camp, Harlan Ellison, Robert E. Howard, Fritz Leiber, e Theodore Sturgeon, se declararam influencidados por Clark Ashton Smith.

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“Eu não me importo com o que os outros pensam sobre o que eu faço, mas eu me importo muito com o que eu penso sobre o que eu faço. Isso é caráter.” - Theodore Roosevelt



4 respostas para “Grandes autores: Clark Ashton Smith”

  1. [...] Clark Ashton Smith (13 de janeiro de 1893 – 14 de Agosto de 1961) nasceu em Long Valley, Califórnia (EUA). Poeta, escultor, pintor e autor de contos de fantasia, horror e ficção científica, saudado como o.  [...]

  2. [...] Poeta, escultor, pintor e autor de contos de fantasia, horror e ficção científica, saudado como o “Keats da Costa do Pacífico” pela imprensa de San Francisco, chamou a atenção de nomes consagrados como Ambrose Bierce, …  [...]

  3. Rogério disse:

    Há um conto muito legal deste autor, que conta as aventuras de um demônio no espaço sideral. Estou traduzindo esta história, "Sadástor", está na fase de revisão. Outros contos que recomendo do autor, "A cidade da chama que canta" , " A ilha que não estava no mapa", "O senhor dos asteroides" e "Abandonados em Andrômeda". Infelizmente não há traduções para o português desses contos que citei.

  4. Nataniel disse:

    Posta O Lado Bom da Vida em Epub?