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O Barão de Lavos – Abel Botelho

O Barão de Lavos - Abel BotelhoSebastião, o barão de Lavos, seduz Eugénio, um vendedor de cautelas do Passeio Público. Põe-no por conta numa casa que possui, mas acaba por se apaixonar pelo jovem. Quando este se começa a sentir mais à vontade, inicia-se a explorar financeiramente o barão. Este cada vez mais envolvido, traz Eugénio para o seu circulo social. A proximidade com a baronesa, esposa de Sebastião, cria nesta e no jovem uma atracção, e os dois tornam-se amantes. Quando o barão os descobre, começa a sua queda vertiginosa, em que acabará arruinado e morto por jovens delinquentes.

Publicado em 1891, o Barão de Lavos é um dos romances da série intitulada “Patologia Social” em que Abel Botelho – professado seguidor do chamado neo-realismo – explora, expõe e põe em claro, fenómenos sociais do final do século XIX até então ignorados pela sociedade ou romantizados de uma forma não credível. O Barão de Lavos é o primeiro livro dessa série que abre logo com temas inéditos na literatura portuguesa até então: A homossexualidade e a pedofilia.

Há quem eleve esta obra como sendo a primeira obra a abordar o tema da homossexualidade na literatura portuguesa. Outros preferem fazer apontar para o facto que o tema em destaque é a crítica à pedofilia e que a obra de Mário de Sá-Carneiro “A Confissão de Lúcio”, escrita mais de 20 anos depois, é que é a primeira a incluir o tema da homossexualidade objetivamente. É uma discussão com pontos de validade para ambas as reivindicações. Por um lado é um facto de que o tema da homossexualidade está presente no O Barão de Lavos; acontece que no século XIX a homossexualidade era indissociável da pederastia e da pedofilia, uma das razões pela qual era fortemente criticada e perseguida. Por outro lado a obra é uma crítica à homossexualidade em si, vista como uma doença patológica e uma degeneração do individuo que só pode ter como fim a sua própria destruição. É, no fundo, uma obra que trata o tema sob o ponto de vista de um objetor da homossexualidade e que a associa à pedofilia. Mário de Sá-Carneiro, por seu lado, como homossexual que era, aborda o tema expondo o seu lado pessoal, ainda que sob uma vertente romantizada e sem fazer qualquer tipo análise de fundo. Posto isto, o rótulo de “1º livro português gay” caberá à escolha de cada um.

Quando foi publicada pela primeira vez a obra de Abel Botelho causou grande o escândalo pelo tema que abordava. Para a sociedade da altura, profundamente conservadora, monárquica e dominada pelo clericalismo tais temas eram tabus. No entanto, entre reprovação, dada a crueza das suas descrições e a admiração dos críticos literários, a obra foi sancionada pela Igreja, precisamente por causa do tema, já que retratava a homossexualidade como uma aberração pecaminosa que tinha como causas a origem ilegítima do barão – fruto de uma traição conjugal – e a degradação moral da sociedade lisboeta da época.
A obra é hoje encarada como um produto do seu tempo, estando no mesmo nível de paridade literária, em termos de conteúdo, como o “Lolita” do escritor Vladimir Nabokov ou o “Morte em Veneza” de Thomas Mann.

 



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